Diário de Bordo nº 4: Novos lugares, feiras noturnas e a Barragem
Este é o quarto diário. O aviso continua o mesmo: o que escrevo são observações e hipóteses de quem esteve na rua. Não há rigor científico, e o número de práticas é pequeno para tirar conclusões firmes.
Como chegamos até aqui
No projeto, eu tinha uma lista de lugares pensada antes de começar. Ela incluía o Aterro do Igapó e o Ribeirão Cambé. A pesquisa me levou a mudar isso. Nas visitas técnicas e nas práticas, dois tipos de lugar foram ganhando espaço: a Barragem do Lago Igapó e as feiras noturnas.
Essas feiras são chamadas por algumas pessoas de “feiras da lua”. Surgem em vários bairros, em geral à noite. Fizemos visitas técnicas à Feira do Tokio/Vila Industrial e à Feira do Estádio do Café (Zona Norte). Fizemos práticas na Feira da SABBI (Zona Oeste) e novamente na Feira do Tokio. A Barragem teve uma visita técnica e duas práticas.
O que vi nas feiras
Nos relatórios, chamei as feiras de um “grande achado” da pesquisa. Descrevi como feiras populares, organizadas por lideranças comunitárias, com muita popularidade e caráter comunitário, e com grande receptividade a atividades artísticas.
Em número, as práticas foram boas: cerca de 135 pessoas na SABBI e 160 na Feira do Industrial, a maior plateia entre as sete práticas. São apenas duas feiras, e não sei se o resultado se repetiria em outras. Mas fiquei curioso o bastante para querer olhar de novo.
Minha hipótese é que a noite ajuda. Por serem à noite, o sol e o calor pesam bem menos, o que conversa com o que escrevi no primeiro diário. Além disso, as pessoas estão ali para passear, comer e conversar. Estão no tempo do lazer, e não da compra apressada. É uma impressão, e não uma medição.
O que vi na Barragem
Troquei o Aterro pela Barragem porque o Aterro não tem sombra capaz de juntar gente, e o público fica espalhado numa área grande e descoberta. Na Barragem, vi alto potencial, e mantivemos a ideia de ocupar a região dos lagos. Fizemos duas práticas, com cerca de 125 e 90 pessoas. A diferença entre as duas me faz lembrar que um mesmo lugar muda de um dia para o outro, e não sei dizer o motivo dessa variação.
O que as feiras exigem
Entendo que as feiras não são espaços pensados para receber espetáculos. Por isso, algumas coisas precisam ser combinadas:
- Conversar antes com a organização da feira. Nos relatórios, anotei que alguns espaços precisam de articulação prévia com os organizadores, e que estabeleci contatos com organizadores de feiras e eventos.
- Pensar em estrutura mínima de som e microfone. Como contei no diário anterior, passei a usar sonorização de voz e trilha sonora, e acredito que numa feira, com muito barulho, isso será ainda mais necessário.
Há também uma diferença importante. A Barragem é um espaço público. As feiras são espaços da comunidade, organizados por pessoas que têm seus próprios combinados. Entrar nelas é pedir licença, e não apenas ocupar. Isso pode ser bom, porque cria vínculo, mas também significa depender da boa vontade de quem organiza.
O que fica
Hoje, minha hipótese é que feiras noturnas e Barragem são caminhos promissores para a arte de rua em Londrina, em complemento aos lugares que já conhecemos. Mas ainda não sei se funcionam bem para espetáculos completos, e não apenas para as práticas de trinta minutos. Também não sei se os organizadores das feiras gostariam de receber uma programação regular

*Projeto Patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura – PROMIC | Projeto Subsolos (PROMIC nº 24-035), Londrina/PR
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